24/05/2008
O Ministério Público de Penápolis, em ação que teve início no ano de 1998 e encerramento há alguns dias, condenou, através de ação civil pública, o ex-prefeito de Alto Alegre, o médico José Maria Trisóglio, a devolver dinheiro aos cofres públicos. Segundo o promotor de Justiça, Adelmo Pinho, a ação civil está relacionada a contratos efetuados pelo ex-prefeito de ordem pessoal e arcado com recursos dos cofres públicos. Eles se referem à contratação de um seguro de vida e acidentes pessoais, ao pagamento de anuidade profissional de médico, inscrição para participar de curso de medicina e outras despesas não especificadas e não justificadas. O médico, no entendimento do Ministério Público, fez estes gastos pessoais durante os anos de 1995 e 1996, o que gerou, além da obrigatoriedade na devolução do dinheiro, pagamento de multa, perca de função pública, suspensão por cinco anos dos direitos políticos e a proibição de ser candidato a cargo público por um período de três anos. A Justiça já penhorou um veículo do ex-prefeito para garantia do pagamento e bloqueou a possibilidade do bem ser transferido para o nome de outra pessoa da família. O valor dos gastos, acrescidos de multas e juros, segundo o Ministério Público, chega ao montante de R$ 56 mil. As despesas foram consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado e resultou ainda na não aprovação das contas do então prefeito no exercício daquele município.
Em outra ação, o Ministério Público encontrou irregularidades na aquisição de telhas que a princípio deveriam ser usadas no Hospital do Município, mas que teria sido utilizada em uma casa de campo do médico. Esta ação resultou na condenação de José Maria a pena de detenção de dois anos e um mês (que cumpre em regime aberto), além da necessidade da devolução do dinheiro à Prefeitura, pagamento de multa e a impossibilidade de, no período de cinco anos, de ocupar qualquer função pública.
Prefeito afirma que foi mal assessorado
Ao comentar a condenação, José Maria Trisóglio afirmou que está afastado da função pública e negou qualquer atitude que causasse dolo aos cofres da Prefeitura de Alto Alegre. “Na minha mente eu não cometi estes delitos. O que ocorreu é que fui mal assessorado naquela época”, afirmou ontem o ex-prefeito. José Maria destacou que foi um “médico-prefeito” e que até hoje ainda cuida da saúde daquela população. Trisóglio disse que irá quitar a dívida caso seja comprovado sua culpa. “Mas, tenho plena consciência que não cometi estes delitos. Meu problema é que fui mal assessorado”, ressaltou. Para ele, este problema somente está vindo à tona agora devido à aproximação das eleições. “Minha irmã é a atual prefeita e o seu vice que é candidato à eleição, está tendo boa aceitação entre os eleitores. Se ocorreu algum erro em minha administração, não foi por minha culpa, pois era mais médico do que prefeito”, finalizou o ex-prefeito ao atribuir o problema a seus assessores diretos na época. (SRF)
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