Penápolis, 06/06/2026

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06/06/2026

Região de Penápolis inicia vazio sanitário da soja em 15 de junho para combater ferrugem asiática

DA REPORTAGEM

Os produtores rurais da região de Penápolis devem se preparar para o início do período de vazio sanitário da soja, que terá início em 15 de junho e seguirá até 15 de setembro nos municípios que integram a chamada Região 3 do calendário fitossanitário paulista. A medida, estabelecida pelo Governo do Estado de São Paulo em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária, tem como principal objetivo combater a ferrugem asiática, considerada uma das doenças mais agressivas e prejudiciais à cultura da soja.
Embora o Governo do Estado tenha anunciado o início do vazio sanitário em 1º de junho, a data não se aplica a todas as regiões paulistas. Penápolis e os municípios da microrregião — Alto Alegre, Avanhandava, Barbosa, Braúna, Glicério e Luiziânia — seguem um calendário específico, com início da restrição apenas na segunda quinzena de junho. A divisão do Estado em diferentes regiões leva em consideração aspectos climáticos e as características da produção agrícola local.
Durante os 90 dias de vigência do vazio sanitário, fica proibida a presença de plantas vivas de soja nas propriedades rurais. A determinação inclui não apenas áreas cultivadas, mas também plantas voluntárias, conhecidas popularmente como “tigueras”, que surgem espontaneamente após a colheita em lavouras, estradas, margens de rodovias, carreadores e outros locais onde possam existir grãos remanescentes.
A eliminação dessas plantas é considerada fundamental para interromper o ciclo de sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática. Sem encontrar plantas hospedeiras durante o período de entressafra, o fungo tem sua população reduzida, diminuindo os riscos de infecção quando uma nova safra é implantada.
A ferrugem asiática foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001 e, desde então, tornou-se uma das maiores preocupações dos sojicultores. A doença provoca o aparecimento de lesões nas folhas, acelera a desfolha das plantas e compromete o enchimento dos grãos, podendo causar perdas expressivas na produtividade. Em situações de alta incidência e controle inadequado, os prejuízos podem atingir grande parte da produção.
Além dos impactos diretos na lavoura, a ferrugem asiática também eleva os custos de produção, já que exige aplicações frequentes de fungicidas. Especialistas apontam que o vazio sanitário é uma das ferramentas mais eficientes para reduzir a pressão da doença e prolongar a eficácia dos defensivos agrícolas disponíveis no mercado.
Nos últimos anos, a cultura da soja tem ampliado sua participação em diversas regiões do interior paulista, inclusive no noroeste do Estado. Embora a economia agrícola dos municípios da microrregião de Penápolis seja fortemente ligada à cana-de-açúcar, à pecuária e a outras culturas, a soja vem conquistando espaço como alternativa de produção e rotação de culturas, especialmente em áreas de reforma de canaviais e em propriedades que buscam diversificar suas atividades.
Por isso, o cumprimento das normas sanitárias é considerado essencial para garantir a competitividade do setor e evitar prejuízos econômicos. A fiscalização do vazio sanitário é realizada pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, responsável por orientar produtores e verificar o cumprimento das exigências previstas na legislação.
Além da eliminação das plantas de soja durante o período de restrição, os agricultores também devem manter atualizadas as informações referentes ao cultivo da cultura junto ao sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave), ferramenta utilizada pelo Estado para monitorar a produção agrícola e fortalecer as ações de defesa agropecuária.
Técnicos do setor destacam que o sucesso do vazio sanitário depende do comprometimento de todos os produtores. Como a ferrugem asiática se espalha facilmente pelo vento e pode percorrer grandes distâncias, a presença de plantas de soja em uma única propriedade pode comprometer os esforços realizados em toda uma região.
Dessa forma, a medida é vista como uma ação coletiva de proteção da agricultura, contribuindo para a sanidade das lavouras, a redução dos custos de produção e a manutenção da produtividade das futuras safras. Para os produtores de Penápolis, Alto Alegre, Avanhandava, Barbosa, Braúna, Glicério e Luiziânia, a recomendação é intensificar as vistorias nas propriedades antes do dia 15 de junho, garantindo que não haja plantas remanescentes e que todas as exigências sanitárias sejam cumpridas durante o período de vazio sanitário. 

(Rafael Machi – Com informações Governo de SP)


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