21/06/2026
DA REDAÇÃO
Com curadoria de Beto Fernandes, o Museu do Sol de Penápolis inaugura, no próximo dia 25, a exposição “Conexão Naïf – Tributo a Orlando Fuzinelli”, dos artistas Jair Lemos, de Mirassol, e Thomaz Vita Neto, de Rio Preto. Eles prestam uma homenagem ao pintor rio-pretense falecido em 2024, deixando um importante legado de arte naïf, que é um estilo de pintura popular espontânea, vibrante e não acadêmica.
A homenagem é mais que justificável, pois Vita e Lemos começaram a pintar incentivados pelo mestre, e a exposição contará ainda com um pequeno acervo de telas de Fuzinelli, gentilmente cedidas pela família. Com entrada franca, o evento prossegue até o dia 31 de agosto.
Para o curador Beto Fernandes, pesquisador de arte e atual diretor do museu, a iniciativa dos dois artistas em homenagear Fuzinelli veio a calhar, pois este nunca chegou a expor em Penápolis. “É uma dívida que temos para com Fuzinelli, esse artista tão respeitado e profícuo que, por motivos que desconheço, não pôde mostrar seu trabalho aqui”, disse o curador.
Em relação aos artistas expositores, o curador disse que a ideia de conexão também pode ser estendida ao próprio museu. “A arte de Jair Lemos e Thomaz Vita se encaixa completamente na proposta do museu, conferindo estilo, autenticidade, contexto e vibração”, disse. “Jair Lemos apresenta telas repletas de cores puras e densas sobre temas que vão de folguedos e seus personagens a cenas rurais, resgates de acontecimentos históricos e meio ambiente. Thomaz Vita aparece com traços diretos e fundos pontilhados, porém definidos esteticamente, explorando o universo dos santos populares, o folclore e cenas rurais, conferindo harmonia ao conjunto”, completou o curador.
Para Jair Lemos, fazer arte é compartilhar sentimentos, daí a conexão com Vita e Fuzinelli. “Ao nos incentivar para a pintura, Fuzinelli nos proporcionou um desafio dos mais autênticos que é, através da arte, expressar nossas experiências e compartilhar com o público os nossos sentimentos e o nosso modo de ver o mundo. E nada mais prazeroso que expor no Museu do Sol, espaço histórico que sempre foi farol da arte naïf”, disse.
Thomaz Vita aponta a simplicidade como elemento difusor do estilo naïf. “Foi isso que me encantou, a simplicidade dos traços e dos temas. E meu contato com Fuzinelli me levou a experimentar, sempre incentivado por ele, por quem tenho grande admiração como artista e pessoa. Hoje dividindo esta homenagem com o Jair e o Beto, me sinto muito agradecido, e agradeço também à família do mestre que cedeu parte do acervo”, disse Vita.
Museu do Sol é referência mundial
Denominado Museu Histórico e Pedagógico “Memorialista Gláucia Maria de Castilho Muçouçah Brandão”, o Museu do Sol é considerado um dos mais importantes museus de arte naïf do mundo, mantendo um acervo com mais de 400 obras de artistas nacionais e internacionais, sendo a primeira instituição do gênero na América Latina. Seu acervo é composto de pinturas, desenhos, engalhes, xilogravuras e esculturas de grandes expoentes da arte naïf brasileira. Tem como diretor Beto Fernandes, curador e pesquisador de arte.
A origem do Museu do Sol é datada de 1972, quando a artista Iracema Arditi o fundou em São Paulo, sendo o primeiro museu de arte naïf da América do Sul, com obras de artistas nacionais e estrangeiros. Sete anos depois ela o transferiu para a Fundação das Artes de Penápolis, no antigo prédio do Clube Penapolense, construído em 1925, dando prosseguimento às atividades e consolidando o desejo da artista de descentralizar a arte de São Paulo para o interior do Estado de São Paulo. Desde então, é administrado por uma fundação privada de interesse público.
Além de exposições permanente e temporária, o museu possui forte atuação didática, baseada em uma política de educação patrimonial, promovendo diversos serviços na área de arte-educação.
SERVIÇO:
Exposição Conexão Naif
Curadoria: Beto Fernandes
Período: de 25 de junho a 31 de agosto
Visitação: se segunda a sexta-feira, das 8h às 10h30 e das 13h às 16h
Escolas: Agendamento prévio pelo fone (18) 36520590
Local: Museu do Sol (Praça 9 de Julho, 150)
Entrada gratuita
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