06/01/2022
DA REPORTAGEM
A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (05) a quinta fase da Operação Raio-X. Os trabalhos foram concentrados em cidades do Estado como Santos e é resultado das investigações iniciadas pela Polícia Civil de Araçatuba sobre suposta organização criminosa especializada no desvio de dinheiro público da área da Saúde.
Parte dos mandados de buscas e apreensão cumpridos estão relacionados ao ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB).
O irmão do ex-governador, o médico Cláudio França, é outro alvo da operação que está sendo desencadeada em ao menos 30 locais da capital, litoral e interior em endereços da família França e, também, de ex-funcionários de organizações sociais, empresários e médicos.
Mandados também foram cumpridos em Clementina, em endereços ligados ao médico anestesista Cleudson Garcia Montali, já condenado a mais de 200 anos de prisão em processos da Justiça de Penápolis e de Birigui, e à mulher dele, também investigada.
Policiais também fariam buscas na Santa Casa de Pacaembu e em órgãos de saúde do governo do Estado que tiveram contratos com OSSs (Organizações Sociais de Saúde) ligadas a Cleudson, considerado líder do suposto esquema criminoso.
A investigação apura peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A operação é acompanhada pelo Ministério Público e representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A Operação Raio-X teve início em setembro de 2020, quando foram expedidos pela Justiça 64 mandados de prisão temporária e 237 mandados de busca e apreensão.
Para a polícia, a família França e Montali estão ligados nesse esquema.
Em dezembro de 2018, às vésperas de deixar o Palácio dos Bandeirantes, o então governador Márcio França aliviou uma punição administrativa de Montali. O pessebista foi derrotado naquele ano em disputa em segundo turno com o tucano João Doria.
O médico, então diretor regional de saúde, havia sido punido com demissão "a bem do serviço público" por irregularidades consideradas graves pelo próprio governo, investigação aberta a reboque do Ministério Público.
Entre as irregularidades apontadas, Montali teria contratado, como coordenador médico da Santa Casa de Araçatuba, uma clínica da qual era sócio e, ainda, cobrado por serviços não prestados. Para o governo, o contrato dele "foi manejado como sofisticado instrumento de apropriação de recursos públicos".
De demissão, França abrandou a pena para suspensão dos trabalhos por 30 dias. Esse mesmo pedido (para redução da pena) havia sido negado pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) em dezembro de 2015.
Em 2020, quando era candidato a prefeito de São Paulo, França negou irregularidades e afirmou ter seguido pareceres internos que consideravam ser a decisão mais justa a tomar.
Dias antes dessa decisão, conforme ele mesmo confirma, França havia viajado de avião para o interior de São Paulo junto com Montali.
Em maio de 2017, França, como vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, viajou para Birigui onde, segundo a prefeitura, ele visitou a Santa Casa local e, também, participou de um jantar promovido pelo médico Montali.
França é um dos pré-candidatos ao governo paulista
Resposta
O ex-governador Márcio França publicou em suas redes sociais afirmando que a operação é política, visando as eleições de outubro deste ano.
“Não há outro nome para uma trapalhada, por falsas alegações, que determinadas “autoridades”, com “medo de perder as eleições”, tenham produzido os fatos ocorridos nesta manhã em minha casa. Toda operação policial tem nome! Essa é uma operação política e não policial”, afirmou França em nota publicada.
Ele ainda destacou que não possui qualquer vínculo com a saúde pública.
“Já venho há tempos alertando que um grupo criminoso em SP tenta me impedir de expressar a verdade. Sabem que não compactuo com eles, que querem tomar conta do Estado de SP. Se depender de mim, não vão conseguir. Eu não sou alvo de nenhuma operação, pois sou advogado particular, não tenho relações nem vínculo com serviços públicos. Não tenho relação com a área médica ou de saúde”, destacou.
Por fim, França afirmou que não tem medo de chantagens e que já enfrentou adversários mais qualificados.
“Não tenho medo de ameaças ou de chantagem. Em 40 anos de vida pública, já fui muitas vezes difamado e injustiçado, nunca condenado. Aliás, já enfrentei adversários muito mais qualificados. Não vão ser os meus atuais concorrentes, notórios mentirosos, que me farão recuar”, finalizou a nota.
(Rafael Machi)
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