09/11/2023
Astrônomos anunciaram a descoberta do buraco negro mais distante da Terra. Ele foi identificado a partir de dados combinados do observatório de raios-x Chandra e do telescópio espacial James Webb, da Nasa (agência espacial norte-americana).
Buraco negro é uma região do espaço onde o campo gravitacional é tão intenso que nem a luz consegue escapar de dentro dele. A intensa gravidade comprime a matéria até que não haja mais espaço entre os átomos.
Por meio do telescópio James Webb, os astrônomos encontraram a galáxia hospedeira, localizada a aproximadamente 13,2 bilhões de anos-luz de distância da Terra, e com o Chandra identificaram o buraco negro supermassivo, que tem uma massa igual à de sua galáxia. A descoberta foi divulgada na segunda-feira, 6.
A galáxia, nomeada como UHZ1, formou-se aproximadamente 470 milhões de anos após o Big Bang. Os pesquisadores acreditam que o buraco negro supermassivo tenha sido composto a partir de uma nuvem de gás e poeira e foi crescendo até se tornar tão massivo quanto todas as estrelas de sua galáxia hospedeira. Ele tem massa estimada entre 10 e 100 milhões de sóis.
Esse objeto continuará a ser estudado para que os pesquisadores tentem entender como buracos negros supermassivos podem atingir massas colossais tão pouco tempo após o Big Bang. Existem duas hipóteses principais: eles terem se formado a partir do colapso de estrelas mortas e crescido até se tornarem supermassivos, ou já terem surgido diretamente do colapso de nuvens gigantes de gás e poeira.
A descoberta resultou em dois artigos, um deles publicado no periódico Astrophysical Journal Letters e outro que ainda será veiculado na revista Nature Astronomy, mas já está disponível em versão prévia no site AirXiv.
"Existem limites físicos para a rapidez com que os buracos negros podem crescer após formados, mas aqueles que nascem com maior massa têm uma vantagem inicial. É como plantar uma muda, que leva menos tempo para crescer e se tornar uma árvore em tamanho real do que se você começou apenas com uma semente", afirmou o cientista e pesquisador Andy Goulding, da Universidade de Princeton (EUA), coautor do estudo da Nature Astronomy e autor principal do artigo no The Astrophysical Journal Letters.
(Com Estadão Conteúdo)
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